A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) divulgou uma nota em que manifesta preocupação com a crise vivida pela pecuária nacional, especialmente diante da queda acentuada nos preços da arroba de boi gordo, num momento em que o setor esperava uma correção para amenizar perdas acumuladas nos últimos dois anos.
Segundo a entidade, a retração nos preços tem sido justificada por uma possível e temporária ausência do mercado americano, mas a explicação não é suficiente diante da realidade vivida pelos produtores.
“É preocupante a situação da pecuária, numa época de início da entressafra e virada do ciclo, onde os preços da arroba paga ao produtor teriam uma correção para amenizar as perdas desses últimos dois anos”, afirma a Acrimat.
A nota também faz um alerta sobre a falta de diálogo entre o governo federal e o setor produtivo que, segundo a entidade, é composto majoritariamente por pequenos e médios pecuaristas. Para a associação, os produtores que vivem no campo, nas pequenas cidades e lidam diretamente com a atividade agropecuária não têm voz nas decisões que impactam diretamente sua sobrevivência econômica.
“O pecuarista não determina nenhum preço nas suas vendas. Os frigoríficos compram pelo preço do dia, determinado por eles, pelo mercado, pelas especulações etc. E o mercado varejista também coloca suas margens e preços sem consultar ninguém”, critica a entidade, ao rebater acusações de que os produtores seriam os responsáveis pelos altos preços da carne no varejo.
A Acrimat também aponta a falta de representatividade nas mesas de negociação com o governo federal. Segundo o comunicado, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que representa os frigoríficos exportadores, tem falado em nome de toda a cadeia da carne sem autorização ou legitimidade por parte dos produtores.
“A Abiec é que é considerada e consultada sobre toda a cadeia produtiva da carne. São eles que falam em nosso nome hoje junto ao governo federal e nunca tiveram nosso aval para tal”, afirma a nota. A crítica é direta: exportadores, que não têm atuação no campo, estão ocupando o espaço de quem realmente produz.
A entidade ressalta ainda que os produtores rurais, em sua maioria pequenos e médios, são os verdadeiros responsáveis por manter a oferta de carne no país e alimentar milhões de pessoas.
“Associações de exportadores não têm o pé no campo. Não respondem às críticas da população e não são os verdadeiros responsáveis pela pecuária nacional”, conclui.
A Acrimat cobra maior abertura ao diálogo por parte das autoridades nacionais e pede respeito à categoria. A nota ecoa um sentimento crescente de insatisfação entre os produtores, que se sentem excluídos das decisões e pressionados por uma cadeia de comercialização que não controlam.























