A HISTÓRIA PODERIA SER DIFERENTE

Como a Argentina evitou que Messi fosse captado para jogar pela Espanha

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Finalista da Copa do Mundo 2026, a Espanha poderia não ter Dani Olmo vestindo a 10. Mas, sim, Lionel Messi, adversário espanhol na decisão deste domingo. A história que o ge conta a partir de agora é de como a Argentina evitou que o craque jogasse pela seleção europeia há 22 anos. Tudo começou com uma fita cassete e amistosos acertados às pressas.

Era junho de 2004, às vésperas do Mundial da Finlândia Sub-17, e a Argentina não tinha ideia de quem era Lionel Messi. A Espanha, por outro lado, acompanhava os passos do jovem de Rosário e sonhava em tê-lo nas suas equipes de base.

Uma fita cassete, entretanto, começou a mudar. As imagens de um argentino baixinho e habilidoso chegou às mãos de Claudio Vivas, ex-jogador da seleção argentina e auxiliar de Marcelo Bielsa, então treinador do time principal.

Messi pela Argentina em 2005 — Foto: Getty Images

Messi pela Argentina em 2005 — Foto: Getty Images

“Não (guardei a fita). Esse VHS acabou na AFA, em Ezeiza. Não tive a inteligência de fazer a cópia. Lamentavelmente não tenho”

 

Em 2005, Messi marca seu primeiro gol pelo Barcelona em vitória sobre o Albacete

Quando Vivas mostrou a Bielsa, o mesmo não acreditou no que assistia.

As imagens também foram vistas por Hugo Tocalli, treinador de base da Argentina, que não tinha mais tempo de chamar Messi para o Mundial da categoria.

“Me surpreendeu com a velocidade que passava de 0 a 100 em dois metros. Me surpreendeu a forma que ele tinha de finalizar”

Ronaldinho e Messi pelo Barcelona 2005 — Foto: Denis Doyle/Getty Images

Ronaldinho e Messi pelo Barcelona 2005 — Foto: Denis Doyle/Getty Images

Tocalli, entretanto, sabia da urgência em convocar Messi para “prendê-lo a Argentina”. Naquele momento, a regra de elegibilidade da Fifa era outra. Se atuasse pela albiceleste, mesmo na base, Messi não poderia atuar pela Espanha.

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Lionel Messi pelo Barcelona em 004 — Foto: Reprodução / Instagram

Lionel Messi pelo Barcelona em 004 — Foto: Reprodução / Instagram

O chamado a Messi não foi fácil. A AFA não tinha contato do jogador, nem de seus familiares, lembrou Omar Souto, funcionário da seleção argentina, no livro “Messi, o gênio (in)completo”.

– Saí do centro de treinamento de Ezeiza (da AFA) e fui a uma cabine telefônica. Pedi uma lista telefônica de Rosário, era tudo o que sabíamos dele. Arranquei a página com os números da família Messi, fiz uma ligação aleatória para casa para justificar minha entrada no centro de treinamento e voltei para lá para encontrá-lo. O primeiro parente que localizei foi sua avó. A avó de Lionel me deu o contato do tio. O tio me deu o contato do pai. Liguei para o pai, me apresentei e disse que queríamos trabalhar com o filho dele, com a ressalva de que eu havia errado o nome: eu sempre ouvira dizer que Leo era o apelido da família Leonardo.

Sabendo do assédio espanhol, a AFA organizou dois amistosos às pressas naquele período e custeou as passagens de Messi, prática incomum da associação na época.

O primeiro jogo foi contra o Paraguai, numa fria noite de inverno no estádio do Argentinos Juniors, local onde “nasceu” Diego Maradona. O valor dos ingressos seria revertido a um hospital. O árbitro foi chamado um dia antes.

Messi comemora gol pela Argentina em amistoso de 2004 — Foto: Imagens TYC Sports

Messi comemora gol pela Argentina em amistoso de 2004 — Foto: Imagens TYC Sports

– Me ligaram um dia antes. Explicaram por que a partida seria realizada. Por sorte, eu tinha as famosas súmulas da FIFA em casa… se há uma coisa de que me arrependo, é de não ter tirado uma foto delas – lamentou o árbitro Gabriel Brazenas ao El Grafico.

– Há uma presença no banco e que vai jogar no segundo tempo, que é Lionel Messi, um jogador de Rosário que, com 12 anos, se apresentou ao Barcelona. Vai fazer a pré-temporada principal com a equipe catalã e que tem uma cláusula de rescisão contratual de 15 milhões de euros – disse o jornalista no início da transmissão.

Messi vestia a camisa 17 e estava ao lado de outros jovens que, 10 anos depois, seriam vice-campeões do mundo com o craque no Brasil: Garay, Zabaleta e Lavezzi. Entrou no segundo tempo, no lugar de Abelairas, e fez uma de suas pinturas. Partiu em velocidade pela meia esquerda, passou por dois paraguaios, driblou o goleiro e marcou o sétimo gol da goleada por 8 a 0, definida como uma “humilhação” pelo jornal paraguaio ABC Color na época.

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Assédio espanhol

Após os dois amistosos, Lionel Messi ainda foi convocado para o Sul-Americano sub-20, na Colômbia, no começo de 2005. Foi vice-artilheiro com cinco gols marcados. No mesmo ano, Messi começou no banco no Mundial da Holanda.

Messi pela Argentina Sub-20 em 2005 — Foto: Getty Images

Messi pela Argentina Sub-20 em 2005 — Foto: Getty Images

– Nas semifinais do Mundial Sub-17, jogamos contra a Espanha. Ganhávamos de 2 a 0, mas eles viraram com dois gols de Césc Fábregas. Quando cheguei ao hotel, me levantei com o corpo técnico do jantar, e um senhor me chamou. Villar, era o presidente da federação espanhola. Me disse: ‘Nós oferecemos a ele (Messi) tudo, mas ele disse que queria jogar pela seleção argentina. Era o jogador que precisávamos – contou Tocalli. em entrevista à rádio La Red.

Agora, 22 anos depois, Messi reencontra a Espanha, de novo. Um país que abriu as portas e foi palco da sua genialidade e que, agora, é o último passo para se tornar ainda mais imortal para a Argentina e o futebol.

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