Segundo levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a cobrança pode afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano. Mais de 4 mil produtos estavam sob risco de sofrer aumento tarifário durante o processo.
Apesar do amplo alcance, itens importantes vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos foram poupados. Carne bovina, café, laranjas, suco de laranja, petróleo, gás natural, aeronaves civis e determinados produtos farmacêuticos estão entre as principais exceções.
Veja os produtos brasileiros taxados e os que ficaram de fora
Etanol, calçados e máquinas agrícolas estão entre os itens sujeitos à tarifa adicional de 25%. Carnes, café, frutas, combustíveis e aeronaves aparecem na lista de exceções.
🔴 Produtos que serão taxados
Principais grupos sujeitos à cobrança adicional de 25%.
- 🌽Etanol
- 🚜Máquinas agrícolas
- 👕Vestuário
- ⚡Maquinário elétrico
- 👞Calçados
- 🌿Ferramentas de jardinagem
- ⛏️Equipamentos de mineração
- 📄Papel
- 🍬Açúcar orgânico
- 🏗️Bens de capital
- 🏭Manufaturados em geral
- ⚗️Produtos químicos diversos
- ⚙️Itens industriais processados
🟢 Produtos que ficaram fora do tarifaço
Toque ou clique em cada categoria para conferir a relação de produtos isentos.
🥩 Produtos de origem animal e carnes
Carne bovina: carne fresca, refrigerada ou congelada; carcaças; meias-carcaças; cortes com e sem osso; cortes de alta qualidade e carnes processadas.
Miudezas e preparados: línguas, fígados, outras miudezas bovinas e carne preparada ou preservada, como corned beef.
Peixes e crustáceos: tilápia fresca, refrigerada ou congelada, exceto filés em alguns casos; atuns albacora e patudo; cavala; espadarte; lagosta e lagostins-do-mar.
Outros produtos: mel natural orgânico certificado, coral e conchas.
🥭 Produtos vegetais e alimentos preparados
Hortaliças e legumes: tomates, com períodos específicos de entrada; jicama; fruta-pão; chuchu; brotos de bambu; castanhas-d’água; alcaparras e cogumelos secos, como orelha-de-pau e shiitake.
Raízes e tubérculos: feijão Bambara, mandioca, taro, inhame, yautia, dasheens e araruta.
Frutas e nozes: cocos; castanha-do-pará; castanha de caju; macadâmia; noz-de-cola; areca; pinhões; bananas; abacaxis; abacates; goiabas; mangas; mangostões; laranjas; limas; etrogs; papaias; marmelos; kiwis; duriões e bagas.
Café, chá e especiarias: café torrado ou não, descafeinado ou não; chá verde; chá preto; erva-mate; pimenta; páprica; baunilha; canela; cravo; noz-moscada; macis; cardamomo; coentro; cominho; gengibre; açafrão; cúrcuma; louro; curry e endro.
Cereais, moagem e bebidas: cevada; alpiste; fonio; triticale; amidos; farinhas; sucos de laranja, de outros cítricos e de abacaxi; além de água de coco.
🛢️ Minerais, químicos e combustíveis
Minérios e minerais: grafite; caulim; fosfatos; sulfato de bário; magnésite; amianto; mica e minérios de ferro, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio e titânio.
Combustíveis e óleos: carvão; linhite; turfa; coque; benzeno; tolueno; xilenos; naftaleno; petróleo bruto e refinado; óleos para motores e lubrificantes; biodiesel; gás natural; propano e butanos.
Produtos químicos: iodo; gases raros; ácidos clorídrico, sulfúrico e fosfórico; óxidos metálicos; hidrocarbonetos; derivados halogenados; álcoois; fenóis; éteres; cetonas; ácidos carboxílicos; vitaminas; hormônios e antibióticos.
💊 Produtos médicos, farmacêuticos e fertilizantes
Sangue e vacinas: plasma humano; soro bovino fetal; produtos imunológicos; vacinas humanas e veterinárias e toxinas.
Medicamentos: produtos contendo penicilinas, insulina, corticosteroides, alcaloides e vitaminas.
Fertilizantes: fertilizantes de origem animal ou vegetal; ureia; sulfato de amônio; nitratos e superfosfatos.
🪵 Materiais industriais
Plásticos e borracha: polímeros de etileno, propileno e vinila; silicones; tubos; mangueiras; pneus, especialmente para aeronaves, e juntas.
Madeira e papel: madeira em bruto ou serrada, como mogno, teca e meranti; compensados; painéis; pastas de madeira e produtos de papel para aeronaves.
⚙️ Metais, máquinas e equipamentos
Metais: ferro fundido; ferroligas; sucata; tubos de aço; cobre; níquel; alumínio; zinco; estanho e metais raros.
Máquinas: motores de aeronaves, incluindo turbojatos e turbopropulsores; bombas; compressores; ventiladores; aparelhos de ar-condicionado; refrigeradores e extintores.
Informática e eletrônicos: computadores e unidades de processamento de dados; notebooks; teclados; unidades de disco; circuitos integrados; monitores; projetores e smartphones.
✈️ Aeronaves, instrumentos e outros produtos
Aeronáutica: balões; helicópteros; aviões; drones; hélices e trens de pouso.
Instrumentos: lentes; prismas; bússolas; pilotos automáticos; termômetros; barômetros e multímetros.
Arte e antiguidades: pinturas; esculturas; selos e coleções de interesse histórico ou botânico.
Também estão fora da nova cobrança produtos que já recebem tarifas específicas com base na Seção 232 da legislação americana. Nesse grupo aparecem determinados artigos de aço, alumínio e cobre, veículos, autopeças, máquinas, semicondutores e produtos de madeira.
A exclusão da tarifa de 25%, portanto, não significa necessariamente que todas essas mercadorias entrarão nos Estados Unidos sem impostos adicionais. Alguns itens continuam submetidos a cobranças anteriores.
Quando a tarifa começa a valer
A nova cobrança passa a ser aplicada às mercadorias que entrarem para consumo nos Estados Unidos a partir de 0h01 de 22 de julho, no horário da costa leste americana, conforme o documento oficial do USTR.
Produtos embarcados antes desse horário poderão escapar da tarifa desde que cheguem e sejam registrados para consumo nos Estados Unidos antes de 29 de julho. Portanto, não basta a mercadoria ter deixado o Brasil: ela também precisa cumprir o prazo estabelecido para a entrada no mercado americano.
Tarifa de 25% pode se somar a outras cobranças?
A nova tarifa foi criada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo usado pelo país para responder a práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.
Parte das exportações brasileiras, no entanto, já estava submetida a outras medidas. Produtos de aço, alumínio e cobre, por exemplo, chegaram a receber tarifas adicionais de até 50% com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial.
Como os artigos já atingidos pela Seção 232 estão entre as exceções da nova medida, não haverá uma soma automática dos 25% sobre todos esses produtos. A cobrança final dependerá da classificação tarifária de cada mercadoria e das regras específicas aplicáveis ao setor.
Antes da decisão, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicavam que aproximadamente 46% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não tinham tarifas adicionais. Outros 25% estavam sujeitos à sobretaxa global de 10%, enquanto 29% eram alcançados pelas tarifas da Seção 232.
Outra investigação pode elevar tarifa para 37,5%
O governo americano conduz paralelamente uma investigação envolvendo 60 economias, entre elas o Brasil. O processo avalia a possível aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% contra países que, na visão de Washington, não adotaram medidas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Na avaliação do governo brasileiro, essa taxa poderia ser aplicada junto à nova tarifa de 25%, elevando a cobrança adicional para até 37,5% sobre parte das exportações.
A soma, porém, não está confirmada. A tarifa final dependerá da conclusão da segunda investigação, dos códigos de cada produto e de possíveis exceções definidas pelos Estados Unidos.
PIX, etanol e desmatamento entraram na investigação
O governo Trump afirma que determinadas políticas brasileiras “oneram ou restringem” o comércio americano. A investigação abordou o sistema de pagamentos instantâneos PIX, o comércio digital, a proteção da propriedade intelectual, o acesso do etanol dos Estados Unidos ao mercado brasileiro, o combate à corrupção, a pirataria e o desmatamento ilegal.
Segundo o USTR, foram recebidas mais de 360 manifestações escritas. Outras 77 pessoas prestaram depoimento durante audiências realizadas em 6 e 7 de julho.
Representantes dos governos brasileiro e americano mantiveram reuniões ao longo do último ano, inclusive nas semanas anteriores à decisão, mas não chegaram a um acordo.
De acordo com interlocutores brasileiros, os principais impasses envolveram o PIX, a ampliação da entrada do etanol americano no Brasil e uma proposta de moratória de quatro anos para livrar plataformas digitais de tributos e multas. Esses pontos são considerados inegociáveis pelo governo brasileiro.
Brasil avalia reação ao tarifaço

O governo brasileiro analisa os detalhes da decisão para definir como reagirá. Entre as possibilidades discutidas estão a continuidade das negociações diplomáticas e o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica.
A legislação permite que o Brasil adote tarifas ou restrições equivalentes contra um país que imponha barreiras unilaterais consideradas injustificadas. Na prática, o mecanismo autoriza o governo brasileiro a responder comercialmente na mesma proporção.
Os Estados Unidos afirmaram que a tarifa poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. O documento americano também indica que a cobrança poderá ser ampliada se Washington considerar que uma eventual reação brasileira agravou as restrições ao comércio dos Estados Unidos.




























