ESTACIONAMENTO PAGO

Rotativo em bairro gera reação de comerciantes de rua: “Vai pesar”

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A cobrança do estacionamento rotativo em novos pontos do Centro Histórico de Cuiabá e no bairro Duque de Caxias começou a valer na última segunda-feira (13). A medida divide opiniões entre comerciantes que usam as vagas com trailers de comida na região e alguns temem até “fechar as portas”.

A implantação das novas vagas foi realizada no entorno da Praça Presidente Costa e Silva, onde estão instalados cinco trailers de venda de lanches e açaí, no bairro Duque de Caxias. Também há vagas atrás do tradicional restaurante Choppão, na Rua Estevão de Mendonça, sentido Colégio Maxi, e na Rua 13 de Junho, no Centro Histórico.

A reportagem ouviu comerciantes na Rua Marechal Mascarenhas de Moraes, ao lado da Praça Costa e Silva.

Conforme apurado pela reportagem, os comerciantes vão pagar uma taxa mensal. Essa cobrança é uma espécie de direito previsto em legislação municipal, que permite que trailers e estruturas semelhantes ocupem vagas destinadas a veículos, desde que tenham autorização da Prefeitura, estejam cadastrados no sistema rotativo e realizem o pagamento correspondente pelo uso do espaço.

O valor a ser cobrado diariamente por cada trailer que realize vendas de produtos e alimentos será equivalente a três horas de estacionamento por vaga. Atualmente, a hora custa R$ 3,40, totalizando R$ 10,20 por dia para cada comerciante.

Izanil Santos Silva trabalha na mesma praça há 19 anos e, segundo ela, os comerciantes não estavam preparados para a cobrança: “Por mais que a pessoa fale que é pouco, para gente que trabalha com comércio, um pouco é muito”, disse.

Sua principal preocupação é o impacto financeiro da nova cobrança. “O movimento não está aquelas coisas e aqui é o meu ganha-pão, tem que pagar energia, repor mercadoria… vai pesar”, acrescentou.

Iza, como é conhecida na região, conta que, em reunião com a Secretaria de Mobilidade Urbana e a empresa responsável pelo estacionamento, a CS Mobi, foram apresentadas duas propostas: pagar uma taxa mensal pelo rotativo e permanecer no entorno da praça ou ocupar uma rua lateral.

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A comerciante chegou a testar a mudança, mas voltou atrás. “Ali fica muito escondido, muito sol, não tinha condições. Aí, voltei para praça e vamos ter que pagar por mês”, relatou.

Iza trabalha durante o dia e vai embora no período da noite, mas, para aqueles que trabalham com lanches e funcionam somente no período noturno, outra alternativa seria retirar o trailer durante o dia e retornar com ele após o fim da cobrança, às 19h. Essa também não foi uma opção viável.

O comerciante Joilton Padilha, dono do Padilha Lanches, que trabalha há 35 anos no mesmo ponto, avalia que o estacionamento rotativo não era necessário para a região, mas, diante da implementação, a taxa mensal foi a melhor solução.

“Não precisava ainda, mas esse acordo foi a melhor coisa que teve. Pelo menos a gente descansa e não fica fora da lei”, afirmou.

Padilha destacou que os trailers permanecem fixos no local e não há risco de perder a vaga para algum veículo estacionado ao chegar no período da noite, caso precisasse retirar seu trailer.

“Nós vamos pagar uma taxa mínima e não vai precisar mais tirar o trailer todo dia. O trabalho que dava para tirar e colocar era bem maior”, disse. O valor, segundo ele, varia e não deve passar de R$ 300.

Yasmin Silva/MidiaNews

Joilton Padilha

O comerciante Joilton Padilha, que trabalha há 35 anos no mesmo ponto

O presidente do bairro Duque de Caxias, Odenir Nilo da Silva, explicou que a chegada do rotativo já vinha sendo discutida desde o fim do ano passado, mas gerou preocupação entre os comerciantes.

“No começo, ficamos muito preocupados. Os comerciantes vieram me procurar”, afirmou.

Segundo ele, após as reuniões, foi construída uma alternativa para garantir a permanência dos trabalhadores no local.

“Eles disseram que a intenção não era prejudicar, mas organizar e dar oportunidade para todo mundo trabalhar”, disse se referindo a CS Mobi. Ainda assim, ele reconhece o impacto financeiro. “É preocupante, porque o movimento caiu bastante. Vai pesar um pouco”.

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O líder comunitário destacou que o pagamento deve, possivelmente, ser feito por meio de boleto mensal e que os comerciantes precisam estar regularizados junto à Prefeitura.

“Quem não estiver com o pagamento em dia corre risco de ter o trailer guinchado”, disse.

Ao ser questionado se a mudança o faria sair do local, ele não negou a possibilidade. “Corre o risco, não vou dizer que não. Corre o risco. Porque a gente não sabe o dia de amanhã”.

Para quem trabalha com entregas, o impacto também já é sentido. O motoboy Matheus Santos, de 26 anos, relata dificuldades durante as paradas para retirada de pedidos.

“Às vezes, a gente para no estabelecimento e demora para sair. Nisso, a moto fica lá no rotativo e a gente nem sabe se vai ser multado depois”, afirmou.

Outro lado

Em nota, a Secretaria Municipal de Ordem Pública afirmou que a reorganização do espaço foi conduzida “com diálogo e transparência” e que houve um acordo prévio para retirada diária das estruturas.

A Pasta reconheceu, porém, que há “dificuldades momentâneas” para o cumprimento integral das medidas, especialmente pela logística de remoção dos trailers.

Victor Ostetti/MidiaNews

Lanchonetes e estacionamento rotativo

Padilha Lanches no estacionamento rotativo

Também informou que o uso do espaço no período noturno segue assegurado e que acompanha a situação “buscando equilibrar organização urbana, mobilidade e atividade econômica local”.

Já a CS Mobi, concessionária responsável pelo sistema, destacou que a medida busca ampliar a oferta de estacionamento em áreas de grande circulação. A empresa afirma que os valores são “acessíveis” e orienta os motoristas a utilizarem o aplicativo Digipare para controle do tempo e pagamento.

Segundo a empresa, desde o dia 1º de abril, os agentes da CS Mobi estiveram nas novas vagas orientando os motoristas, com uma janela de abordagem educativa, preparando os usuários para o início da cobrança.

A concessionária também reforçou que a implantação foi baseada em estudos de demanda e que o objetivo é garantir o uso mais “amplo e democrático” das vagas na região.

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