Medo de rótulos e polarização afastam jovens da política em MT, diz vice da UBES

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Em Mato Grosso, cerca de 157 mil jovens de 15 a 17 anos estão fora do cadastro eleitoral e, portanto, não aparecem nas estatísticas da Justiça Eleitoral. Dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso mostram que apenas 59 mil adolescentes possuem título de eleitor, o que representa 28% do total estimado nessa faixa etária no Estado.

O cenário acende um alerta às vésperas do processo eleitoral de 2026, sobretudo em um contexto marcado por forte polarização política, intensificada desde as eleições presidenciais de 2022. Para lideranças estudantis, esse ambiente tem desestimulado a participação juvenil no debate público.

O vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas em Mato Grosso, Layan de Moura, avalia que o receio de ser rotulado ideologicamente contribui para o afastamento dos jovens. “Muitos têm medo de se posicionar porque rapidamente são classificados como de esquerda ou de direita. Isso acaba afastando parte da juventude”, afirmou.

Segundo ele, há ainda resistência em discutir política no ambiente escolar, o que limita o desenvolvimento do pensamento crítico. “A noção que muitos estudantes têm sobre política é vaga. Falta incentivo para que compreendam o papel que exercem nas decisões do Estado”, disse.

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O desinteresse, conforme Layan, é mais perceptível entre alunos do terceiro ano do ensino médio. Ele atribui a queda de engajamento à entrada no mercado de trabalho, à preparação para vestibulares e à influência do ambiente familiar. “Se eu fosse estimar, diria que entre 10% e 20% dos estudantes do terceiro ano demonstram interesse em política”, explicou.

Nas últimas eleições, Mato Grosso refletiu o cenário nacional de embates ideológicos intensos, inclusive dentro das escolas. Para representantes do movimento estudantil, esse contexto contribui para a retração do interesse juvenil e reforça a necessidade de ações que estimulem o diálogo e a participação política entre adolescentes.

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