Com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o documentário “A Fala da Liberdade da Mulher Moçambicana”, que retrata a escritora Paulina Chiziane, foi lançado em 27 de janeiro, em Maputo (Moçambique). A produção intercontinental é dirigida pelo professor da UFMT Celso Luiz Prudente e tem lançamento previsto para novembro de 2026 no Brasil, durante a 22ª Mostra Internacional do Cinema Negro (MICINE).
Segundo Prudente, o filme parte de uma reflexão sobre a presença e a voz das mulheres em um país marcado por processos históricos de ruptura. “O tema central do filme é a mulher moçambicana. Moçambique passou por uma revolução anticolonizadora e, ao mesmo tempo, soube se atualizar como uma referência no respeito à questão de gênero”, afirma. Para o diretor, registrar essa trajetória no audiovisual também amplia possibilidades de formação e diálogo: “A revolução tecnológica, que dá mais espaço ao cinema e ao audiovisual, permite relações pedagógicas que podem ser muito bem adotadas”.
Além do recorte social, o documentário destaca a relevância cultural de Paulina Chiziane, primeira romancista de Moçambique vencedora do Prêmio Camões, um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa. “Quando uma mulher africana integra essa galeria, isso reforça a emergência do respeito à questão de gênero”, avalia Prudente.
O diretor também aponta que o filme busca fortalecer pontes entre países de língua portuguesa, com o cinema como meio de aproximação. “Esse filme atua em favor do estreitamento das relações culturais entre Brasil e África, notadamente Moçambique. É importante que essa mediação ocorra a partir do cinema educativo, que traz uma mensagem de paz”, diz.
Na perspectiva do docente, a obra se conecta a debates sobre democracia, diversidade e participação social. “A democracia só se torna substancial quando dimensões como a questão racial e a questão de gênero passam a ser integradas de forma efetiva nas instituições culturais e acadêmicas”, argumenta.
O filme nasce de um projeto de coprodução entre a TVM (Televisão de Moçambique) e o Canal Futura. Após a estreia em Maputo, a produção entra na grade oficial da TVM, também integra a programação do Canal Futura e estará disponível no streaming da Globoplay em novembro de 2026. Além da UFMT, participaram da produção a Universidade Pedagógica de Moçambique, o Programa de Educação da USP e o Laboratório de Educação e Cultura (LABIART), da USP.

























