O Instituto Brasil Central (Ibrace) recebeu R$ 1,9 milhão em emendas parlamentares indicadas pelo vereador Chico 2000 (PL) para a realização de quatro corridas de rua em Cuiabá, entre os anos de 2024 e 2025, conforme dados oficiais da Câmara Municipal. O instituto e seu presidente, Alex Jones Silva, estão entre os alvos da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (27). O parlamentar também foi alvo da ação e acabou afastado do cargo por decisão judicial.
As investigações apuram um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares, que teria causado prejuízo ao município de Cuiabá, com foco na Câmara Municipal e na Secretaria Municipal de Esportes. Segundo a polícia, os recursos públicos eram destinados a entidades e empresas previamente escolhidas, com posterior retorno de parte dos valores ao parlamentar responsável pelas indicações.
Entre os repasses feitos por Chico 2000 ao Ibrace, R$ 600 mil foram destinados à realização da Corrida Bom Jesus de Cuiabá. Já em 2024, o vereador indicou R$ 400 mil para a organização da 6ª Corrida do Legislativo, evento promovido pelo instituto em parceria com a empresa Chiroli Uniformes, que também é alvo da operação.
No mesmo período, o parlamentar destinou ainda R$ 450 mil ao Ibrace para a realização da 1ª Corrida de Rua Popular. Outro repasse, também no valor de R$ 450 mil, foi feito para a organização da 5ª Corrida do Legislativo, totalizando os R$ 1,9 milhão investigados.
Além de Chico 2000 e Alex Jones Silva, a Operação Gorjeta teve como alvos o empresário João Nery Chiroli, dono da Chiroli Uniformes, sua esposa Magali Gauna Felismirni Chiroli, o chefe de gabinete do vereador, Rubens Vuolo Junior, e o assessor parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV), Joacyr Conceição Silva.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo — formado por vereador, servidores públicos, empresários e dirigentes de instituto — teria se associado para direcionar emendas parlamentares ao Ibrace e à empresa investigada, com parte dos recursos sendo posteriormente “devolvida” ao parlamentar, caracterizando indícios de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Ao todo, o Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá expediu 75 ordens judiciais, incluindo 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis. Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.



























