O Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) tem atuação destacada na na assistência e na pesquisa sobre a paracoccidioidomicose, doença fúngica grave e negligenciada. Desde 2018, o laboratório já realizou aproximadamente 1.700 exames de sorologia, com cerca de 160 diagnósticos confirmados. Em 2024, a equipe iniciou um projeto de rastreamento em áreas rurais de Mato Grosso, voltado a agricultores, com o objetivo de antecipar o diagnóstico e o tratamento da doença.
A paracoccidioidomicose (PCM) é causada por fungos do gênero Paracoccidioides, presentes no solo, e adquirida pela inalação de esporos. Considerada a micose sistêmica que mais mata no Brasil, a doença pode permanecer silenciosa por anos e, quando diagnosticada tardiamente, provoca sequelas graves e irreversíveis. No HUJM da UFMT o trabalho de assistência e pesquisa está a cargo da equipe da professora e pesquisadora Rosane Hahn, em uma vinculação entre HUJM e a Faculdade de Medicina da UFMT.
Com mais de 30 anos de dedicação à micologia médica, a professora Rosane Hahn foi responsável pela descoberta do Paracoccidioides lutzii, espécie predominante no Centro-Oeste, fato amplamente abordado na reportagem e que contribuiu para avanços nos métodos diagnósticos da PCM na região. Entre os pacientes atendidos está Antônio Rodrigues Joaquim, de 62 anos, que levou quatro anos para obter o diagnóstico correto. Antes da confirmação da PCM, ele recebeu diferentes hipóteses clínicas e acumulou sequelas importantes, evidenciando a dificuldade no reconhecimento precoce da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, não há medida de controle disponível, com a recomendação de tratamento aos doentes de forma precoce visando impedir a evolução da doença e suas complicações. Ainda não existem vacinas para a prevenção da PCM. Recomenda-se, tanto no ambiente rural como no periurbano, evitar a exposição à poeira originada de escavação do solo, de terraplanagem e de manipulação de vegetais.
Para os trabalhadores rurais e motoristas de trator constantemente expostos à poeira mais densa, particularmente os que fazem a coleta manual, limpeza (abano) e varrição do café, é presumível que evitar a exposição com máquinas de cabine bem vedada ou máscaras protetoras tipo N95 (quando disponíveis) possa proteger da infecção por Paracoccidioides spp. Aconselha-se evitar a exposição de crianças e indivíduos imunodeprimidos a situações de risco em zona rural. Em laboratórios, a manipulação de isolados do fungo, sempre que possível, deve ser feita em capela de segurança, principalmente de cultivos na forma de micélio.



























