A vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa (Novo), voltou a denunciar publicamente o que chama de esvaziamento de funções e retaliações dentro da Prefeitura, responsabilizando diretamente o prefeito Abilio Brunini (PL) pelo tratamento recebido. Em entrevista à Rádio Cultura FM nesta sexta-feira (19), ela afirmou viver um cenário de frustração e violência política na atual gestão.
Segundo Vânia, o problema não é a política, mas a postura do prefeito após as eleições.
“A palavra que mais define é frustração. Não pela política em si, mas pelo próprio prefeito, que eu esperava que se comportasse de outra forma nesse espaço de poder com a vice”, disse.
Ela afirma que sua participação na campanha serviu para preencher uma lacuna que Abilio tinha junto ao eleitorado feminino, mas que esse protagonismo foi descartado logo após a vitória.
“Esvaziar o poder é violência política, e eu vou falar sobre isso doa a quem doer”, declarou, afirmando sofrer tentativas sistemáticas de desconstrução pública.
“Tentam criar uma imagem diferente da Vânia da campanha. A Vânia é forte, tem carreira alicerçada e respeitada, faz enfrentamento. Eles querem matar de toda forma, mas não vão matar.”
“Vai pra casa”
Vânia afirma que o rompimento ficou evidente um dia após o resultado das eleições, quando perguntou qual seria seu papel no novo governo e ouviu do secretário de Governo, Ananias Filho: “Vai pra casa.”
Ela diz ter reagido imediatamente: “Eu respondi: vou pra casa? O prefeito vai pra casa? Vocês vão pra casa? Eu não vou.”
Apesar da tensão, decidiu seguir no processo de transição acreditando que a postura mudaria — algo que, segundo ela, jamais ocorreu.
Demissão, restrições e “seca orçamentária”
O desgaste se aprofundou em 2025, em agosto, já à frente da Semob, Vânia entrou em choque com vereadores, se defendeu na tribuna e acabou demitida por Abilio dias depois.
Foi surpreendida por uma “vistoria de demissão”, interpretada como recado de rompimento político. Posteriormente, um decreto restringiu sua atuação institucional, retirando autonomia para representar a Prefeitura sem autorização do gabinete do prefeito.
Em dezembro, a LOA enviada à Câmara praticamente zerou os recursos da Vice-Prefeitura, episódio descrito como “seca orçamentária”.
Vânia afirma que o constrangimento já ultrapassa os limites da política e repercute dentro da Polícia Militar, onde construiu carreira.
“Meus coronéis ligam perguntando o que está acontecendo. Dizem que nunca viram uma exposição dessa natureza. Isso macula a imagem construída ao longo de anos”, contou.
Ela diz que decidiu tornar público o conflito após esgotar todas as tentativas de resolver internamente.
“Eu cansei de chorar, cansei de ser exposta e fingir que está tudo bem. Já fiz tudo o que era possível e necessário, mas o respeito não nasceu nos bastidores. Agora, preciso expor muitas coisas.”
Para a vice-prefeita, o enfrentamento atual simboliza também a luta por espaço das mulheres na política.
“Eu sei onde quero chegar. É mais um passo na construção do espaço da mulher na política.”
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