DETERMINAÇÃO DO STF

Lobista investigado por venda de sentenças é transferido para cadeia em Brasília

A Corte determinou o retorno de Gonçalves ao regime fechado depois de identificar indícios de que ele continuava cometendo crimes, incluindo lavagem de dinheiro, durante o período em que cumpria prisão domiciliar em Primavera do Leste (MT).
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O lobista Anderson de Oliveira Gonçalves, investigado por intermediar a venda de sentenças judiciais em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, foi transferido nesta quarta-feira (12) para o presídio da Papuda, em Brasília, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Corte determinou o retorno de Gonçalves ao regime fechado depois de identificar indícios de que ele continuava cometendo crimes, incluindo lavagem de dinheiro, durante o período em que cumpria prisão domiciliar em Primavera do Leste (MT).

A transferência foi confirmada pela Polícia Federal (PF). A defesa do lobista informou que não irá se manifestar, alegando sigilo processual.

Gonçalves estava em prisão domiciliar desde julho de 2024, após o STF aceitar o pedido de mudança de regime feito pela defesa, que apresentou motivos médicos. O lobista havia passado por uma cirurgia bariátrica com interposição ileal em 2020, procedimento que afeta a digestão e a absorção de alimentos.

Durante o período em que esteve preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, Gonçalves chegou a solicitar alimentação especial e relatou problemas físicos e psicológicos. Laudos apontaram perda de peso e fragilidade, o que motivou a autorização judicial para entrega de refeições específicas três vezes por semana.

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Mesmo com essas condições, o STF entendeu que havia provas suficientes para revogar o benefício da prisão domiciliar, após a PF indicar a continuidade de movimentações financeiras suspeitas.

Esquema de lavagem de dinheiro

Relatórios da Polícia Federal apontam que Gonçalves utilizava a empresa Florais Transportes como parte de um esquema de lavagem de dinheiro oriundo da venda de decisões judiciais. Segundo os investigadores, a transportadora era usada para movimentar grandes quantias diariamente, mascarando a origem dos valores.

As investigações indicam que o lobista mantinha uma rede de intermediários responsável por facilitar a circulação de dinheiro entre empresários e agentes do Judiciário.

O nome de Anderson Gonçalves surgiu nas operações Ultima Ratio e Sisamnes, deflagradas em 2024, que resultaram no afastamento de magistrados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e na apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos usados no esquema.

Ligação com advogados e magistrados afastados

As investigações começaram após a análise de mensagens encontradas no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023. O conteúdo levou a suspeitas de venda de sentenças e ao afastamento dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, ambos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

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De acordo com a PF, Gonçalves atuava como intermediário entre Zampieri e os magistrados. Nas mensagens, eram discutidos valores e decisões judiciais de interesse de empresários.

Durante a Operação Sisamnes, o lobista foi preso e os endereços dos desembargadores foram alvo de buscas. Ambos passaram a usar tornozeleira eletrônica por decisão judicial.

Já na Operação Ultima Ratio, deflagrada em Mato Grosso do Sul, cinco desembargadores foram afastados e Gonçalves voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão.

Vida discreta e novos desdobramentos

Preso inicialmente em novembro de 2024, Gonçalves é dono de empresas do setor de transporte em vários estados e mantinha vida discreta, sem perfis ativos em redes sociais.

A PF apura agora se o lobista manteve contatos com antigos parceiros do esquema mesmo após a mudança de regime prisional. Essa nova linha de investigação levou o STF a determinar prisão preventiva e a transferência do investigado para Brasília, sob alegação de que sua permanência em Mato Grosso poderia prejudicar o andamento das apurações.

A defesa, em nota, reforçou que o processo tramita sob sigilo e que eventuais manifestações ocorrerão apenas nos autos.

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