O governador Mauro Mendes (União Brasil), voltou a fazer duras críticas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e afirmou que o parlamentar “precisa parar com confusões” se quiser contribuir para a união da direita no país. A declaração foi feita na quarta-feira (12), durante entrevista ao influenciador Arthur do Val, conhecido como “Mamãe Falei”, na COP 30, em Belém (PA).
“Seria muito bom se ele parasse com essas confusões, porque aí sim, se a direita voltar a ganhar no país, nós vamos acabar com esses problemas, inclusive do pai dele”, disse Mendes, ao comentar a série de ataques e provocações que vêm marcando o embate entre ele e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A troca de farpas entre os dois começou após Eduardo Bolsonaro chamar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de “candidato do ministro Alexandre de Moraes”, em tom de crítica. Mendes reagiu e saiu em defesa do colega paulista, classificando a fala do deputado como “sem sentido” e “irresponsável”.
Em seguida, Eduardo gravou um vídeo nas redes sociais chamando o governador de Mato Grosso de “político bosta” e de “frouxo”, o que acirrou ainda mais o clima.
Desde então, o conflito tem repercutido em Brasília e em setores da direita, com aliados tentando conter o desgaste entre duas figuras que, até pouco tempo atrás, integravam o mesmo campo político.
Durante a entrevista, Mauro Mendes afirmou que vem observando Eduardo Bolsonaro atacar diversas lideranças conservadoras, como Tarcísio de Freitas e Nicolas Ferreira (PL-MG). Segundo ele, esse tipo de postura contribui para dividir e enfraquecer o grupo que se opõe ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Tenho visto o Eduardo criticar muita gente da direita. Já vi críticas ao Tarcísio, ao Nicolas, a outras pessoas. Quando vejo ele se comportando dessa forma, dá a impressão de que o Lula está certo quando o chamou de ‘camisa 10’”, ironizou o governador.
O apelido “Camisa 10” foi usado por Lula em tom de brincadeira com aliados, sugerindo que a atuação do deputado, especialmente ao comemorar tarifas americanas contra produtos brasileiros, o chamado “tarifaço”, teria ajudado indiretamente o governo petista.
Mauro Mendes fez referência direta ao episódio, dizendo que Eduardo acabou “marcando gol contra” ao enfraquecer a direita e gerar crises internas.
Um dos momentos mais duros da fala de Mauro Mendes foi quando ele associou o comportamento do deputado às consequências políticas e jurídicas enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Depois que ele entrou em campo lá nos Estados Unidos, o que conseguiu na prática? Colocar o pai dele na prisão. E ainda chamou o pai de ingrato. Como posso chamar meu pai de ingrato?”, questionou o governador.
Mendes disse ainda que Bolsonaro é o “grande líder da direita no país” e que o deputado deveria reconhecer isso. “Ele é o que é hoje porque Jair Messias Bolsonaro construiu esse caminho. Ele [Eduardo] precisa parar de criar confusão e trabalhar pela união”, completou.
Defesa e apelo por pacificação
O governador também respondeu às insinuações de que não estaria se mobilizando pela anistia de Bolsonaro, tema que divide a direita.
“Se ele quiser saber o que já fiz por Bolsonaro, não vou dizer à imprensa nem aos quatro ventos. Bolsonaro sabe, e vou continuar fazendo porque ele merece e o Brasil merece que nós paremos com essa confusão”, afirmou Mendes.
“A direita só voltará a vencer se houver união. É preciso parar com radicalismo, parar com ataques entre si. Não é desse jeito que se ganha uma eleição”, disse.
Eduardo rebate e chama Mendes de “homem de geleia”
Poucas horas após as declarações, Eduardo Bolsonaro voltou às redes sociais para responder ao governador. Ele o chamou de “homem de geleia” e disse que Mendes estaria “reforçando a narrativa de Alexandre de Moraes”.
“Em um momento ele diz que Bolsonaro está sendo injustiçado, e depois fala que foi para a cadeia por minha causa. Está dando legitimidade às ilegalidades e crueldades cometidas pelo Moraes”, afirmou o deputado.
A nova resposta manteve o embate entre os dois em alta nas redes e nos bastidores partidários, com integrantes do PL e do União Brasil tentando minimizar o impacto político das trocas de ofensas públicas.




















