O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou nesta terça-feira (28) que recebeu com “muita honra e alegria” a informação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestou de apoio ao seu nome para disputar o governo de Mato Grosso em 2026.
Pivetta disse que mantém um bom relacionamento com lideranças do PL e de outros partidos aliados e acredita que o gesto de Bolsonaro pode ajudar a fortalecer seu nome nas pesquisas de intenção de voto.
“Eu recebi a notícia com muita honra, muita alegria. Tenho um bom relacionamento com prefeitos, deputados e lideranças do PL. Temos um bom relacionamento. Temos uma coligação que vigora desde 2022. Eu estou negociando, conversando com todo mundo para a possibilidade de ter o apoio de todos esses partidos”, disse o vice-governador.
“Eu acredito que sim, é um apoio importante e penso que meu nome pode crescer nas pesquisas”, completou.
Apesar da aproximação com o bolsonarismo, Pivetta afirmou que não pretende trocar de partido nem negociar vaga no PL. O vice-governador reforçou que não houve qualquer tipo de conversa formal sobre composição eleitoral.
“Eu nem penso nisso. Eu não conversei com o PL. Portanto, não houve negociação, absolutamente nada”, disse.
Na semana passada, Bolsonaro comunicou ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que vê em Pivetta um nome competitivo para a sucessão do govenador Mauro Mendes.
O gesto de Bolsonaro, porém, causou mal-estar dentro do PL em Mato Grosso. O senador Wellington Fagundes (PL), que já se apresenta como pré-candidato ao governo com aval da executiva nacional, afirmou que não pretende recuar da disputa.
Questionado sobre o posicionamento do senador, Pivetta preferiu não comentar.
“Não posso falar sobre ele. É ele que está falando, nada que eu possa comentar”, limitou-se a dizer.
O presidente estadual do PL, Ananias Filho, confirmou que Bolsonaro demonstrou preferência por Pivetta, mas destacou que a decisão final sobre a candidatura ao governo caberá a Valdemar da Costa Neto. Segundo ele, a direção nacional segue apoiando Wellington Fagundes.
Clima tenso
O impasse ganhou novos contornos na manhã desta terça-feira, durante a abertura do Congresso Mundial da Carne, em Cuiabá, onde Pivetta e Wellington Fagundes dividiram o mesmo palco pela primeira vez desde o início da disputa interna.
Questionado sobre o clima entre os dois, o vice-governador respondeu em tom irônico.
“Eu não tenho esse problema de clima, de química. Não sou suscetível a isso com o mesmo sexo”, afirmou.
A declaração arrancou risos de parte do público e foi interpretada como uma tentativa de minimizar a tensão política entre os dois.
Mesmo sem confirmar a candidatura, o vice-governador sinaliza disposição para o embate.
“Temos um bom relacionamento com todos os atores políticos e estamos conversando. Se houver convergência, vamos trabalhar para construir um projeto que mantenha o crescimento de Mato Grosso”, afirmou.
Disputa antecipada
A movimentação dentro do PL antecipa a corrida pela sucessão de Mauro Mendes, que ainda não anunciou se pretende disputar outro cargo em 2026. Além de Pivetta e Wellington, outros nomes surgem nos bastidores, incluindo lideranças do União Brasil, PSD e MDB.
Com o apoio simbólico de Bolsonaro, Pivetta entra no radar nacional como possível candidato alinhado à direita, mas ainda precisa equilibrar a relação com o Republicanos e manter o apoio da base governista em Mato Grosso.
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