FEMINICÍDIO EM NOBRES

Polícia investiga se suspeito dopou namorada policial para roubar arma usada em feminicídio

publicidade

A Polícia Civil de Nobres (122 quilômetros de Cuiabá), investiga se Luciano Oliveira de Sousa, de 32 anos, dopou a namorada, uma policial militar, antes de furtar a arma e o carro dela para matar a ex-companheira, Joceli Ribeiro Caju Boa Morte, de 30 anos. O crime ocorreu na manhã de segunda-feira (13) e chocou a cidade pela brutalidade. 

O delegado Marcos Vinicius Ferreira Silva, responsável pelo caso, afirmou nesta terça-feira (14) que a militar foi ouvida e não há indícios de que ela tenha participado do feminicídio. A principal linha de investigação agora é se ela foi dopada por Luciano antes de ele sair de casa armado.

“Ela prestou depoimento. Estamos investigando ainda, mas a princípio ela não tem envolvimento. Há suspeita de que ele tenha colocado alguma substância no remédio que ela tomou para dor de cabeça”, explicou o delegado.

Segundo o depoimento da policial, na noite anterior ao crime, ela sentiu uma dor de cabeça e pediu a Luciano um remédio. Depois disso, adormeceu profundamente e perdeu o horário de trabalho — o que levantou suspeita de que tenha sido induzida a dormir para que o namorado pudesse agir sem ser percebido.

Leia Também:  Criminosos desviaram 100 toneladas de milho de fazenda de MT

Enquanto a militar dormia, Luciano pegou sua arma e seu veículo e foi até a casa de Joceli, no bairro Jardim Petrópolis, onde atirou várias vezes contra a ex-mulher, que morreu no local. O atual namorado da vítima, que estava na residência, reagiu, tomou a arma do agressor e atirou para se defender, matando Luciano.

O delegado reforçou que, até o momento, não há qualquer indício de envolvimento da policial militar no feminicídio. Para os investigadores, ela também foi vítima de um ato premeditado de Luciano, que teria usado a relação para planejar o crime.

“Tudo indica que ela foi enganada e usada por ele. Estamos apurando a substância que pode ter sido administrada e faremos perícia completa”, afirmou Marcos Vinicius.

A arma e o veículo da policial foram apreendidos e encaminhados à perícia. Exames laboratoriais também devem ser realizados para verificar se há resíduos de substâncias sedativas no organismo da militar.

Histórico de violência e descumprimento de medida protetiva

A vítima, Joceli Ribeiro Caju, havia denunciado Luciano à polícia em pelo menos duas ocasiões, relatando agressões e ameaças após o fim do relacionamento, que durou cerca de um ano e oito meses. Ela possuía medida protetiva contra o ex-marido, que estava em vigor no momento do crime.

Leia Também:  Governador vai a Brasília viabilizar licenças para asfalto pedido por Raoni

Em uma das denúncias, Joceli contou que foi agredida com tapas e empurrões durante uma discussão. Em outro episódio, ele a perseguiu até o trabalho, a agrediu e ameaçou com uma caneta no pescoço.

As investigações também confirmaram que Luciano tinha histórico de violência contra outras mulheres, com registros de agressões e perseguição desde 2021.

Feminicídio premeditado

Para a Polícia Civil, o assassinato de Joceli foi planejado. Luciano teria se aproveitado da confiança da atual namorada uma policial para ter acesso a uma arma de fogo funcional e executar a ex-companheira, que ele não aceitava ver em outro relacionamento.

“A dinâmica e o histórico de ameaças mostram que ele agiu de forma planejada. A motivação foi o inconformismo com o fim da relação”, concluiu o delegado.

A Polícia Civil aguarda os laudos periciais que devem confirmar se a policial realmente foi dopada e se houve uso de substâncias sedativas. O caso segue sob investigação em Nobres.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

RELACIONADAS