ANUÁRIO 2024

MT registra aumento de 200% em medidas protetivas; Dom Aquino é o bairro mais violento para mulheres

Relatório da Delegacia da Mulher revela crescimento nos pedidos de proteção e aponta concentração de casos em bairros de Cuiabá

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O número de pedidos de medidas protetivas em Mato Grosso aumentou de forma expressiva nos últimos quatro anos. Segundo o Relatório Estatístico e de Análise dos Atendimentos da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, divulgado nesta terça-feira (16), as solicitações passaram de 2.061 em 2020 para 6.223 em 2024, um crescimento de 200%. O Anuário também apontou os bairros com maior incidência de violência contra a mulher em Cuiabá.

Somente em 2024, foram contabilizados 3.874 pedidos, o que representa uma alta de 27% em relação a 2023. Os dados evidenciam a procura crescente das vítimas por proteção judicial contra situações de violência doméstica e familiar.

Eficácia das medidas

De acordo com a delegada Juda Marcondes, titular da Delegacia da Mulher de Cuiabá, o instrumento tem se mostrado decisivo para a proteção das vítimas.

“As medidas protetivas estão se mostrando extremamente eficientes, e por isso reforçamos o pedido para que as mulheres que estejam sofrendo violência doméstica procurem a delegacia e solicitem proteção. Muitas acreditam que isso pode deixar os agressores mais violentos, mas não é verdade. O silêncio, sim, é o que alimenta a agressividade”, afirmou.

O levantamento mostra que 87% dos homens respeitaram as determinações judiciais em 2024, reforçando a efetividade do recurso.

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Dom Aquino lidera registros de violência

O Anuário 2024, com base em dados da Delegacia da Mulher e do Plantão da Violência Doméstica e Crimes Sexuais, também apontou os bairros com maior incidência de violência contra a mulher em Cuiabá.

O Dom Aquino foi o mais violento, com 52 ocorrências ao longo de 2024, mesmo número registrado no bairro do Porto. Em seguida aparecem Morada da Serra (49 casos), Pedra 90 (47), Jardim Florianópolis, Parque Cuiabá, Duque de Caxias (31), Cidade Alta, Goiabeiras (27) e Jardim das Américas (20).

Apesar de a maioria dos registros se concentrar em bairros populares, o relatório alerta que áreas com maior diversidade econômica também aparecem nos números, como Centro, Quilombo, Boa

Esperança, Morada da Serra e o Centro Político.

“Isso indica que áreas mais centralizadas ou desenvolvidas também registram casos de violência doméstica, o que desmitifica a ideia de que a violência doméstica está restrita apenas à periferia. Todavia, historicamente, a violência doméstica é subnotificada, sobretudo em regiões com menor acesso a delegacias especializadas, serviços de apoio psicológico e assistência jurídica”, aponta o a delegada Judá.

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Perfil das vítimas

O relatório mostra ainda que a maioria das vítimas é formada por mulheres brasileiras, solteiras e heterossexuais, com idades entre 30 e 49 anos. Muitas possuem ensino superior completo, mas cerca de 8,3% declararam não atuar no mercado de trabalho, identificando-se como “do lar”.

Outro dado relevante é que 42% das vítimas (690 casos) sofreram violência de ex-companheiros, com os episódios ocorrendo em períodos de seis meses a dois anos após a separação.

“Os dados coletados em 2024 pela Delegacia da Mulher de Cuiabá revelam que a maioria das mulheres vítimas de violência doméstica mantinha relacionamentos de média a longa duração com os agressores. Este padrão reforça a tendência já observada em estudos sobre violência doméstica, nos quais a permanência prolongada nas relações dificulta o rompimento por parte das vítimas, devido a fatores como dependência emocional, financeira, estigma social e até medo de represálias”, destaca o relatório.

Embora os relacionamentos mais longos apresentem maior incidência de violência, os dados também mostram que relações recentes podem evoluir rapidamente para cenários de agressão, exigindo atenção tanto a casos crônicos quanto aos de desenvolvimento recente.

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