A deputada estadual Edna Sampaio (PT), afirmou nesta terça-feira (26), em entrevista ao Programa Tribuna da Rádio Vila Real, que o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) se recusou a assinar o requerimento de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Feminicídio na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
“Cattani não quis assinar. Isso eu posso dizer”, declarou Edna durante a entrevista.
A recusa de Cattani causou indignação na colega devido ao fato da filha dele, Raquel Cattani, ter sido vitima feminicídio em 2024. Ela foi morta a facadas, a mando do ex-marido, Romero Xavier, que contou com a ajuda do irmão, Rodrigo Xavier Mengarde, para executar o crime.
Segundo Edna, até a manhã desta terça-feira, 12 deputados já haviam assinado o pedido da CPI quatro a mais que o mínimo necessário. Entre os signatários estão Elizeu Nascimento (PL) e Faissal Calil (Cidadania).
A deputada, porém, admitiu que há um movimento de recuo de alguns parlamentares e disse que continua em diálogo para garantir apoio.
“Alguns que não assinaram disseram que assinariam”, afirmou.
Ela destacou que a proposta da comissão não tem caráter de confronto político, mas de investigação e busca por soluções.
“Não podem ser as nossas diferenças ideológicas que nos impeçam de unir em relação a resolver esse problema, que é um problema de vida ou morte. Não vamos fazer a disputa rasa e baixa política eleitoral quando estamos tratando de um problema estrutural que as instituições do Estado têm que dar resposta para elas”, afirmou Edna.
O caso Raquel Cattani
Raquel Cattani foi encontrada morta em 19 de julho de 2024, na zona rural de Nova Mutum. A investigação concluiu que Romero Xavier, ex-marido da vítima, foi o mandante do assassinato, executado pelo irmão dele, Rodrigo Xavier Mengarde.
A dupla foi presa em flagrante e autuada por homicídio triplamente qualificado: feminicídio, promessa de recompensa e emboscada com recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo a Polícia Civil, Romero tentou criar álibis para despistar os investigadores, como almoços com familiares, churrascos e até ida a boates em Tapurah no dia do crime. A apuração, no entanto, reuniu provas suficientes para apontá-lo como o responsável intelectual pelo assassinato.
Com a formalização do pedido, caberá agora à presidência da Assembleia Legislativa analisar o requerimento e definir se a CPI será instalada. A expectativa é de que a pressão política em torno do tema cresça nas próximas semanas.























