A Justiça determinou que o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira e seu caseiro, Alex Roberto de Queiroz Silva, sejam submetidos a júri popular pelo homicídio do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, ocorrido em 5 de julho de 2024, em Cuiabá. A decisão, publicada em 22 de agosto de 2025, é do juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, que manteve a prisão preventiva dos réus diante da gravidade do crime, do risco à ordem pública e da atuação em contexto semelhante a uma organização criminosa.
De acordo com a investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Heron teria sido o responsável por arquitetar o crime, recrutando Alex para executá-lo. Alex confessou em juízo ser o autor dos disparos, alegando estar enfrentando “problemas pessoais, muitas dívidas” e ameaças de agiotas, e também admitiu ter queimado roupas e capacete usados na execução para tentar eliminar provas. Heron não efetuou os disparos, mas reconheceu ter atuado como intermediário, auxiliado na logística e tentado ocultar provas.
O Ministério Público Estadual denunciou a dupla em 15 de maio de 2025 por homicídio qualificado, com agravantes de promessa de recompensa, perigo comum, dificuldade de defesa da vítima, idade avançada da vítima, fraude processual e participação em organização criminosa. Heron também responde por abuso de autoridade.
O crime teria sido encomendado por R$ 200 mil em meio a uma disputa judicial envolvendo o casal de empresários de Primavera do Leste, César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bentos, que disputavam com Nery a posse de terras avaliadas em mais de R$ 30 milhões. Nery foi baleado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em frente ao seu escritório, e morreu horas depois no hospital.
Segundo o juiz Gaíva, a gravidade do crime, a atuação organizada, a possível participação de agentes públicos e a intimidação de testemunhas justificam a manutenção da prisão preventiva. “A complexa trama de ocultação de provas e a intimidação de testemunhas reforçam a necessidade da prisão para assegurar a aplicação da lei penal”, afirmou.
Alex e Heron permanecem presos desde março de 2025, quando foram detidos durante a Operação Office Crime – A Outra Face, e responderão a julgamento pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado, fraude processual, abuso de autoridade e participação em organização criminosa.






















