O juiz Moacir Rogério Tortato determinou o bloqueio de R$ 21,7 milhões em bens dos investigados na Operação Sepulcro Caiado, deflagrada nesta quarta-feira (30) pela Polícia Civil, com apoio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A operação visa desarticular um esquema criminoso que teria desviado milhões da Conta Única do Judiciário estadual.
Além do bloqueio financeiro, foram sequestrados 48 imóveis e diversos bens de alto padrão, incluindo fazendas, apartamentos de luxo em São Paulo e Cuiabá, terrenos, casas em condomínios fechados, veículos de luxo, um jet ski, barras de ouro, joias, dinheiro em espécie e talões de cheque. Parte dos itens foi encontrada na casa de um dos investigados.
As investigações apontam que, até o momento, o valor comprovadamente desviado ultrapassa R$ 11 milhões, com indícios de que o montante total possa chegar a R$ 21 milhões. A fraude envolvia a falsificação de comprovantes de depósitos judiciais, com inserção de valores fictícios nos sistemas do TJMT.
As planilhas eram supostamente produzidas por servidores do Departamento de Depósitos Judiciais, e remetidas ao Banco do Brasil com códigos de rastreio inválidos, simulando quitações inexistentes.
O Banco do Brasil confirmou que não há registro dos depósitos judiciais declarados, o que reforça a hipótese de falsidade material nas guias apresentadas.
O caso veio à tona após a denúncia de um homem em janeiro de 2025, que identificou o bloqueio de R$ 17 mil em sua conta. Ao buscar explicações, descobriu a existência de nove processos judiciais em que aparecia como devedor de João Gustavo Ricci Volpato, sendo que sete deles indicavam quitações de valores acima de R$ 680 mil, embora ele nunca tenha efetuado qualquer pagamento ou concedido procuração para tal.
O denunciante confirmou uma dívida antiga com Volpato, de apenas R$ 17 mil, referente a um empréstimo feito em 2014. No entanto, afirmou desconhecer qualquer relação com o advogado Themis Lessa da Silva, que aparecia como seu representante nos processos.
Com o avanço das investigações, surgiram novas vítimas em situação semelhante, muitas delas sem capacidade civil para atos jurídicos ou sem conhecimento das ações em seus nomes.
Bens sequestrados
Confira os principais bens bloqueados por decisão judicial:
Mauro Ferreira Filho (servidor do TJMT)
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Apartamento em edifício de luxo em São Paulo
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Casa no condomínio Florais dos Lagos (Cuiabá)
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Lote em pesqueiro em Acorizal
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Hilux 2017, Radial 2021
Régis Poderoso de Souza (advogado)
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Duas casas em Marília (SP)
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Sala comercial no SB Medical & Business Center (Cuiabá)
Wagner e Melissa Vasconcelos de Moraes (casal)
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Três apartamentos em edifícios de alto padrão em Cuiabá
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Casa em condomínio de luxo em Cuiabá
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Lotes nos bairros Alphaville 2 e Jardim Primavera
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Nissan Frontier 2021
Themis Lessa da Silva e Lessa Consultoria Empresarial
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Lote no condomínio Florais da Mata (Várzea Grande)
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Veículos: Volvo XC40 2022, BMW X1, Toyota Corolla 2024, Ford Ranger, Voyage 2019
RV Empresa de Cobrança Ltda
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Estância de 21 hectares em Cuiabá
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Lote no Jardim Florianópolis
Família Ricci Volpato
João Gustavo Ricci Volpato:
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17 imóveis registrados em seu nome
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Apartamentos em edifícios de luxo como Brasil Beach, Maison Gabriel, Uniko 87 e Domus (com vagas de garagem)
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Lotes em Cuiabá
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Veículos: Volvo XC40 2020, Haval 2025
Augusto Frederico Ricci Volpato:
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Fazenda Vale da Promissão (432 hectares em Rosário Oeste)
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Lote no Vila Boa Esperança
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Apartamento em Cuiabá
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Jeep Renegade 2020, Ford Ranger 2024
Luiz Volpato Neto (espólio) e Luiza Rios Ricci Volpato:
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Fazenda de 200 hectares em Várzea Grande
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Lotes na Vila Boa Esperança
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Loja, casa e salas comerciais em Cuiabá
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Área rural conhecida como “Fazendinha” (Várzea Grande)
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T-Cross 2025
Márcia Ferreira Costa
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Etios 2016, Volvo XC60 2020
Presos na operação
Foram presos na manhã desta quarta-feira os seguintes investigados:
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Wagner Vasconcelos de Moraes
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Melissa França Praeiro Vasconcelos de Moraes
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João Gustavo Ricci Volpato
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Luiza Rios Ricci Volpato
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Augusto Frederico Ricci Volpato
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Rodrigo Moreira Marinho
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Themis Lessa da Silva
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João Miguel da Costa Neto
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Régis Poderoso de Souza
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Denise Alonso
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Mauro Martins Sanches Júnior (servidor do TJMT)
O que diz o TJMT
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso confirmou, por meio de documentos oficiais, que os valores foram inseridos de forma fraudulenta nos sistemas internos com base em planilhas fictícias. Os comprovantes de depósitos apresentavam incongruências de datas, valores e dados das partes envolvidas, o que reforça a existência de um esquema sofisticado e articulado de fraude dentro do Judiciário.




















