O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), atribuiu ao grupo bolsonarista a responsabilidade pela retaliação comercial imposta pelo presidente do Estados Unidos ao Brasil, Donald Trump, de aplicar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo o ministro, a ofensiva partiu de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que passaram a acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo Lula (PT) de promoverem perseguição política.
Em entrevista concedida à rádio Jovem Pan na manhã desta quinta-feira (10), o Fávaro mencionou diretamente o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmando que sua atuação nos Estados Unidos teria contribuído para a sanção anunciada pelo ex-presidente Donald Trump.
“O fato é: quem foi provocar, dia e noite, inclusive com um deputado brasileiro licenciado nos EUA, foi exatamente esse grupo político. Eles pediram para que a retaliação aos brasileiros acontecesse. Aconteceu. Portanto, quem é o culpado? Não gosto de levar por esse lado, mas o fato real é esse. Eduardo Bolsonaro está morando nos EUA, fez vídeo gravando. Ele quis retaliar o Brasil por uma questão pessoal”, disse Fávaro.
De acordo com Fávaro, a decisão de Trump rompe com os trâmites tradicionais da diplomacia e coloca interesses pessoais de aliados políticos no centro da agenda comercial entre os países. A medida pegou o setor produtivo de surpresa e gerou apreensão quanto aos impactos nas exportações brasileiras, sobretudo de commodities agrícolas.
Em resposta, Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Donald Trump pela imposição das tarifas. Em publicação na plataforma Truth Social, utilizada pelo ex-presidente norte-americano, o deputado escreveu.
“Obrigado, presidente Donald J. Trump. Espero que as autoridades brasileiras agora tratem esses assuntos com a seriedade que merecem. O Brasil não pode, e não vai se tornar outra Venezuela, Cuba ou Nicarágua. Deus abençoe os Estados Unidos, Deus abençoe o Brasil”, disse Flavio Bolsonaro.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia se há base para responsabilizar o parlamentar por sua atuação nos EUA. Segundo apuração da CNN Brasil, auxiliares do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ministros do STF enxergam indícios de que Eduardo tenha incentivado diretamente a ofensiva de Trump. O deputado tem usado as redes sociais para criticar o Judiciário brasileiro e defender anistia a envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Eduardo Bolsonaro afirma que sua permanência nos Estados Unidos tem como objetivo denunciar supostos abusos cometidos pelo STF contra a direita brasileira. Em vídeo publicado nas redes, defendeu uma “anistia ampla, geral e irrestrita” e pediu responsabilização de autoridades por “abuso de poder”, citando diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A sanção comercial imposta por Trump foi interpretada por integrantes do governo e do Judiciário como um novo capítulo na escalada de tensões entre o bolsonarismo e as instituições brasileiras — com potencial repercussão tanto diplomática quanto econômica para o país.




















