APÓS FISCALIZAÇÃO

Vereadora denúncia superlotação em UPA e prefeito rebate: “parece que ela está defendendo quem quer pegar atestado”

A fiscalização, segundo ela, foi motivada por uma série de denúncias recebidas de moradores da capital.

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A vereadora Maysa Leão (Republicanos), criticou a situação crítica da UPA Morada do Ouro, durante a sessão desta quinta-feira (3) na Câmara de Cuiabá.  A parlamentar subiu à tribuna para relatar o cenário de caos que presenciou durante uma fiscalização realizada na unidade na noite anterior, quarta-feira (2), quando constatou superlotação, pacientes internados em cadeiras e falta de condições mínimas de atendimento. O prefeito  Abilio Brunini (PL), rebateu as falas da vereadora, dizendo que ela estaria defendendo quem vai às UPAs somente em busca de atestado médico.

Maysa solicitou a exibição de um vídeo gravado durante a vistoria, no qual é possível ver idosos dormindo em cadeiras quebradas, pacientes internados em ambientes inadequados e profissionais de saúde trabalhando em condições precárias.

“É importante que a população veja o que vimos: uma UPA que continua operando em estado crítico, com pacientes internados em cadeiras, idosos dormindo em cadeiras quebradas, internados na sala de medicação. A saúde pública de Cuiabá está na UTI”, afirmou a vereadora com indignação.

A fiscalização, segundo ela, foi motivada por uma série de denúncias recebidas de moradores da capital. Com base nos relatos, Maysa e sua equipe elaboraram um relatório com seis páginas contendo registros, depoimentos e imagens, já enviado à imprensa e compartilhado com os demais vereadores da Casa.

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“São relatos de uma sociedade pedindo socorro. A UPA Morada do Ouro, assim como outras unidades da capital, está superlotada, sem infraestrutura, sem dignidade”, alertou.

“A recepção estava vazia, prefeito, mas a UPA estava lotada. A enfermaria, a sala de medicação e a sala de emergência estavam superlotadas. Falei com cada pessoa internada. Gente que está ali há mais de 12 dias. Pessoas doentes, sem possibilidade de tomar banho, sem alimentação, sem estrutura”, afirmou.

Ela destacou ainda que, segundo relatos colhidos no local, na noite da fiscalização os pacientes da sala de medicação receberam comida pela primeira vez.

“Os próprios acompanhantes disseram: ‘é a primeira vez que comemos aqui nessa sala’”, contou Maysa, ao descrever a precariedade do serviço oferecido na unidade.

Um dos casos mais graves revelados pela vereadora foi o de uma paciente com suspeita de câncer de colo de útero, internada na UPA há dias sem conseguir realizar exames básicos e, por isso, fora da lista de prioridade para transferência pelo Sistema de Regulação (SISREG).

“Ela vai morrer de câncer, não por falta de tratamento, mas por falta de diagnóstico. Ela está morrendo por desassistência, por negligência do sistema público municipal de saúde. Sem laudo, ela não terá prioridade de vaga no SISREG”, denunciou Maysa.

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A vereadora finalizou sua fala dirigindo-se diretamente ao prefeito de Cuiabá, Abílio e pediu que a fiscalização do Legislativo não seja encarada como afronta pessoal.

“Não pessoalize a fiscalização, prefeito Abílio. Não sou contra o senhor, estou cumprindo meu trabalho”, declarou, em tom firme.

A denúncia da parlamentar provocou forte repercussão entre os vereadores e ganhou eco nas redes sociais, onde o vídeo exibido por Maysa começou a circular logo após sua fala na tribuna.

Outro lado

O prefeito rebateu as falas da vereadora, minutos depois. Ele criticou a postura da parlamentar,  dizendo que ela estaria defendendo quem vai às UPAs somente em busca de atestado médico.

“Eu tenho reparado, em vários discursos da vereadora, que parece que ela está defendendo quem quer pegar atestado. O tempo todo eu vejo ela se posicionando em defesa de quem quer pegar atestado. Ela vai à UPA, vê a recepção vazia — que provavelmente foi porque a gente diminuiu essa prática — e ela parece que está reclamando”, disse o prefeito. 

“Agora, se a vereadora, junto com os demais colegas dela, como Dídimo, Jeferson, Daniel e Emanuel Pinheiro, quiserem criar um grupinho no WhatsApp para ficar reclamando das coisas que estamos fazendo, podem fazer…”, ironizou. 

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