O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), determinou à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) que investigue o vazamento de um relatório sigiloso da Polícia Civil que deu origem a uma reportagem publicada pelo portal UOL, que aponta supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares no estado e envolve diretamente 14 deputados estaduais, além de um prefeito e um secretário de Estado.
A decisão do governador foi tomada nesta quinta-feira (26), após receber um ofício do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB), solicitando providências imediatas. Mendes encaminhou o pedido diretamente ao secretário de Segurança, coronel César Roveri, com uma anotação manuscrita que destaca a urgência da apuração.
O relatório mencionado é o de número 2025.7.55631, produzido pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) da Polícia Judiciária Civil. Segundo Max Russi, o documento é confidencial e ainda está sob análise do Ministério Público e do Poder Judiciário. Por isso, não poderia ter sido divulgado publicamente.
“A circulação indevida desse material compromete o devido processo legal, o direito à ampla defesa e o equilíbrio institucional entre os Poderes”, diz trecho do ofício entregue ao Palácio Paiaguás.
Para os deputados, o documento, o vazamento pode configurar uma violação grave às normas que regem a proteção de informações sob sigilo judicial.
Os deputados se reuniram com o controlador-geral do Estado, Paulo Farias, nesta quinta-feira, para cobrar esclarecimentos sobre o conteúdo publicado pelo UOL. A reportagem atribui à Controladoria-Geral do Estado (CGE) a base da investigação, o que foi prontamente negado por Farias.
O caso agora está sob responsabilidade da Sesp, que deve conduzir uma apuração interna para identificar o(s) responsável(eis) pelo vazamento. A investigação deve incluir a análise de quem teve acesso ao relatório, em que circunstâncias ele foi compartilhado e se houve eventual quebra de sigilo por agentes públicos.
A reportagem do UOL cita ainda que os desvios estariam relacionados ao período eleitoral e envolvem recursos de emendas destinadas a entidades específicas, em contratos com suspeitas de irregularidade. Até o momento, não há manifestações do Ministério Público ou do Judiciário sobre o mérito das acusações.
Entenda
O caso em que os deputados foram citados foi investigado no âmbito da Operação Suserano, deflagrada pela Polícia Civil em setembro de 2024, que aponta para um suposto desvio de recursos públicos na execução de emendas parlamentares. O prejuízo estimado aos cofres públicos poderia ultrapassar R$ 28 milhões.
Todos os 14 deputados que foram mencionados na investigação da Deccor negaram envolvimento no suposto esquema. Eles também se mostraram insatisfeito com o fato de um documento sigiloso ter sido vazado para a imprensa.
Os deputados citados são: José Eduardo Botelho (União), que na época era presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Juca do Guaraná (MDB) Cláudio Ferreira (PL), atual prefeito de Rondonópolis, Doutor João José (MDB), Alan Kardec (PSB), atual secretário de Ciência e Tecnologia da Informação, Gilberto Cattani (PL), Fabio Tardin (PSB), Julio Campos (União), Faissal Calil (Cidadania), Ondanir Bortolini (PSD), Dr. Eugênio (PSB), Wilson Santos (PSD), Thiago Silva (MDB), Dilmar Dal Bosco (União) e Carlos Avalone (PSDB).
O deputado Diego Guimarães (Republicanos) é citado no relatório, mas não pagou emendas.























