Deputados estaduais de Mato Grosso se reuniram nesta quarta-feira (25) com o controlador-geral do Estado, Paulo Farias, para cobrar esclarecimentos sobre o vazamento de um relatório sigiloso que acabou ganhando manchete de uma reportagem do portal UOL e nas mídias do Estado. A publicação, apontou suposto esquema de irregularidades na destinação de emendas parlamentares destinadas à compra de kits agrícolas e citou 14 deputados como alvos de uma investigação da Polícia Civil.
Durante a reunião, os parlamentares questionaram o uso de um relatório da própria Controladoria-Geral do Estado (CGE) como base para o inquérito, e criticaram o que consideram uma tentativa de expor a imagem da Assembleia Legislativa. Paulo Farias negou que o material divulgado na reportagem tenha origem oficial nos relatórios da CGE e reforçou que o foco da análise foi a relação entre a Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf) e a organização Pronatur.
“A CGE não investiga parlamentares. Nosso trabalho se concentrou na análise da relação entre a Seaf e a organização da sociedade civil contratada, a Pronatur. Em nenhum momento identificamos emendas, valores ou autores”, explicou Farias.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB), afirmou que a veiculação de informações sob sigilo judicial, associadas indevidamente à CGE, compromete reputações e deve ser investigada.
“Pegam um relatório sob segredo de Justiça, misturam com informações atribuídas à CGE que não constam nos documentos, e soltam para a mídia nacional como se fosse verdade. Isso destrói histórias, reputações”, questionou Max.
O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), um dos principais nomes citados na reportagem, acusado de destinar R$ 10 milhões em emendas para aquisição de kits de ferramentas agrícolas requereu que o governador Mauro Mendes (União Brasil) determine à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) a apuração sobre o vazamento das informações.
“É gravíssimo que um relatório que corre em segredo de Justiça esteja sendo usado para propagar informações mentirosas, que atingem minha imagem e a de outros deputados. Quero que o governador determine à Deccor que investigue como esse documento foi parar na imprensa. Isso é uma calúnia.”, declarou.
“Eu nunca destinei emenda de R$ 10 milhões para a Seaf. Todas as minhas emendas para essa secretaria não chegam a R$ 7 milhões. E o número dessa emenda é de outro deputado no valor de R$ 137 mil”, disse.
Avallone também ressaltou que, conforme explicado pelo controlador Paulo Farias, os relatórios da CGE não mencionam nomes de deputados nem valores de emendas.
Max exigiu do governo do estado uma resposta afirmando que a Assembleia não irá aceitar falsas informações que podem destruir a reputação de parlamentares. E afirmou que irá encaminhar um ofício ao governador solicitando essa apuração.
“Queremos uma resposta oficial. A Assembleia exige que o governador determine a apuração do vazamento dessas informações. Isso saiu em uma mídia nacional, com base em dados que o próprio auditor afirmou não estarem nos relatórios da CGE”, apontou o presidente da ALMT.
“É grave um órgão em que confiamos, vazar uma afirmação dessa, um documento sigiloso”, disse.























