O aumento das tensões entre Irã e Israel pode trazer reflexos significativos para o agronegócio de Mato Grosso, especialmente para o mercado do milho. De acordo com coordenador de Inteligência de Mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Rodrigo Silva, o cenário geopolítico merece atenção redobrada dos produtores, tanto pela possível pressão sobre os preços quanto pelos impactos nos custos de produção da próxima safra.
Em 2024, o Irã foi o terceiro maior comprador de milho de Mato Grosso, com 2,4 milhões de toneladas adquiridas, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Já em 2025, até agora, o país recebeu 487,2 mil toneladas do cereal mato-grossense, ficando atrás do Egito, principal destino das exportações, com 587,3 mil toneladas.
Apesar de o Irã não ser o maior mercado, Rodrigo Silva ressalta que sua relevância não pode ser ignorada.
“O Irã acaba sendo um participante importante nas nossas exportações. Talvez não vá causar uma queda brusca nos preços, mas já é mais um fator de pressão sobre um mercado que tem recuado nos últimos meses”, destacou o analista do Imea.
Preço do petróleo pode pesar nos custos da próxima safra
Segundo Rodrigo, os desdobramentos do conflito podem ir além do comércio exterior. A volatilidade do petróleo, impulsionada por crises na região do Oriente Médio, tende a refletir diretamente no custo do diesel — combustível essencial tanto para as operações no campo quanto para o transporte da produção.
“Dentro da porteira, o produtor pode sentir o aumento no custo das operações mecanizadas. Fora da porteira, o impacto recai sobre o frete, já que o diesel é o maior componente de custo no transporte”, explicou.
Esse possível aumento nos custos vem num momento em que os produtores já enfrentam margens apertadas e incertezas no planejamento da safra 2025/26.
Cautela marca compra de insumos para soja
A insegurança no cenário internacional também tem deixado os agricultores mais cautelosos. De acordo com Rodrigo, apenas 60% dos insumos para o plantio da próxima safra de soja — previsto para iniciar em setembro — já foram adquiridos em Mato Grosso.
“Estamos 15 pontos percentuais atrás da média dos últimos cinco anos nesse período. Isso mostra que o produtor está mais reticente. Existe preocupação com os fertilizantes, especialmente os nitrogenados, cujos preços já começam a subir”, avaliou.
A guerra entre Rússia e Ucrânia também segue no radar, já que os dois países são grandes fornecedores globais de fertilizantes e derivados de petróleo. Um agravamento simultâneo desses dois conflitos pode gerar novos choques nos preços dos insumos, aumentando ainda mais os desafios para o planejamento agrícola.
“As decisões tomadas agora terão reflexo direto nos resultados da próxima safra. O produtor precisa estar atento a cada movimento do mercado, tanto aqui quanto lá fora”.
(Com informações Canal Rural MT)























