A Justiça Militar acatou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra quatro policiais militares acusados de envolvimento em uma organização criminosa ligada ao assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ocorrido em julho do ano passado, em Cuiabá. A decisão é do juiz João Bosco Soares da Silva, titular da 11ª Vara Criminal da Capital, e foi assinada na última quarta-feira (18).
Os denunciados são Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso. De acordo com o MPE, no dia 12 de julho de 2023, eles teriam encenado um suposto confronto com suspeitos no bairro Pedra 90 para simular a apreensão da arma utilizada no homicídio do advogado, ocorrido uma semana antes.
O grupo responderá por diversos crimes: organização criminosa, abuso de autoridade, porte ilegal de arma de uso restrito e falsidade ideológica, todos praticados, segundo a denúncia, com uso de violência e em contexto de fraude policial.
O autor do disparo que vitimou Renato Nery foi identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva, que confessou o crime. O atentado aconteceu na frente do escritório da vítima, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa. Nery chegou a ser socorrido, passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte, 6 de julho.
As investigações apontam que o crime teria sido encomendado por conta de uma disputa fundiária no interior do estado. O casal de empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos é apontado como mandante do assassinato.
Uma semana após o crime, os quatro policiais teriam participado de uma ação que resultou na morte de Walteir Lima Cabral e na tentativa de execução de Pedro Elias Santos Silva e Jhuan Maxmiliano de Oliveira Matsuo Soma. A atuação do grupo, segundo o Ministério Público, visava encobrir o verdadeiro contexto da morte do advogado e construir uma narrativa de confronto policial, com a suposta apreensão da arma usada no homicídio.
Embora não tenha determinado a prisão preventiva dos acusados, o Judiciário impôs uma série de medidas cautelares, entre elas: uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com testemunhas, recolhimento domiciliar noturno, afastamento da função pública, além da suspensão do porte de armas. Todos os policiais já se encontram afastados das atividades na corporação.
A audiência de instrução foi agendada para o dia 12 de agosto, às 14h, no plenário da 11ª Vara Criminal de Cuiabá.
O crime
Renato Nery foi baleado na cabeça no dia 5 de julho do ano passado, quando chegava em seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa. Ele chegou a ser socorrido e levado para o Complexo Hospitalar, onde passou por cirurgia, mas acabou falecendo no dia seguinte.
Conforme as investigações, o assassinato teria sido motivado por uma disputa de terras no interior do Estado



















