A culinária tradicional mato-grossense ganha um novo espaço de valorização, memória e aprendizado com a inauguração da Griô Escola de Culinária, idealizada pela chef Michely Garcia. Com uma proposta livre e focada no resgate das raízes culturais, a escola abre as portas neste sábado (24), oferecendo cursos voltados à gastronomia regional.
A iniciativa une técnica, afeto e identidade, sendo um exemplo marcante de como o empreendedorismo feminino pode transformar saberes tradicionais em oportunidades de formação e impacto social.
“Eu sempre admirei a nossa culinária tradicional, mas sinto que ela ainda é pouco explorada”, afirma Michely.
“Aqui temos a influência de povos indígenas, quilombolas, de uma história rica, que vai muito além dos famosos pratos feitos com Pacu e Pintado. São sabores e saberes ancestrais que merecem espaço e valorização”, completa.
Nascida em uma família humilde e tradicional, Michely aprendeu sobre o reaproveitamento dos alimentos, respeitando os ciclos naturais e valorizando cada elemento da culinária. Foi com base nessa vivência que ela decidiu transformar sua paixão em um projeto com propósito: uma escola de gastronomia enraizada na identidade local.
“Griô é sobre contar histórias. E eu acredito que a comida também conta a nossa história. A escola é o lugar onde quero continuar contando a minha, e ajudar outras pessoas a contarem as delas através da cozinha”, explica.
O nome “Griô” tem origem nas tradições africanas e representa os guardiões da oralidade — contadores de histórias que mantêm viva a memória dos povos. Para Michely, o nome traduz exatamente o espírito da escola: “Eu vou continuar contando minha história através da culinária”.
Ao contrário de escolas tradicionais que seguem uma única linha de ensino, a Griô propõe um conceito plural.
“Não teremos uma linha específica. Não será só culinária saudável, nem só culinária cuiabana. Vamos trabalhar em várias frentes”, explica Michely.
O objetivo é criar um ambiente de integração e cura, onde cada pessoa possa compartilhar seus saberes e se reconectar com as memórias afetivas da cozinha.
“Aqui não é apenas uma escola de gastronomia, é um lugar onde as pessoas podem mostrar um pouquinho do que sabem. As pessoas vão poder fazer aquele bolo que lembra a avó, ou uma comida que remete ao jeito da mãe cozinhar, ou preparar uma receita que lembra o jeito da família. Quero ajudar as pessoas a transformarem o que tem na geladeira em algo nutritivo, econômico, afetivo e rápido para facilitar o dia a dia na cozinha”, diz a chefe.
Além das aulas, a Griô contará com uma horta sensorial onde os alunos poderão colher os temperos usados nas receitas, valorizando o contato direto com os ingredientes. Um foco especial será dado às PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), que fazem parte da culinária dos quilombolas, que utilizam pouca proteína animal e muitas vezes substituem por fontes vegetais nutritivas e acessíveis.
Para Michely, a escola é muito mais que aprender a cozinhar. “Aqui é um espaço de cura, onde o ensino vai além da técnica”, completa.
A aula inaugural será no sábado (24), com uma oficina de massas frescas, onde Michely ensinará o preparo de um macarrão artesanal simples, versátil e com poucos ingredientes — uma forma de incentivar momentos de partilha em família.
A Griô Escola de Culinária está localizada na rua Maranhão, número 8, bairro Pico do Amor, em Cuiabá.




















