O ex-secretário de Política Agrícola Agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Neri Geller (PP), voltou a criticar a postura do ministro da Carlos Fávaro, em relação ao comando da Pasta. Segundo Geller, Fávaro conduz a Pasta de forma inadequada, e chegou a chamar a gestão de “acéfala”. Em entrevista ao programa Conexão Rural, nesta segunda-feira (27), Neri também voltou a criticar a polêmica envolvendo o leilão do arroz.
Neri afirmou que desde a sua saída do Mapa e de outros profissionais, a gestão de Fávaro não apresentou políticas básicas para o agro brasileiro.
“O ministério não participa de políticas essenciais, como crédito, seguro agrícola ou garantia de preço mínimo. Os contratos são uma vergonha e desestimulam o setor. Isso não é ajudar o governo”, criticou.
Durante a entrevista, Neri voltou a criticar a polêmica envolvendo o leilão do arroz, que culminou em sua exoneração do Mapa.
Para ele, Fávaro teria agido para agradar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que estava preocupado com a inação do produto antes mesmo das enchentes no Rio Grande do Sul.
“Desde o início das discussões, antes mesmo da enchente, não fui consultado pelo ministro Fávaro, o que deixou evidente um desnecessário quezinho de ciumeira. Em uma reunião com o presidente Lula, ministros e técnicos do Ministério da Fazenda, deixei claro que o preço do arroz é globalizado e que o leilão geraria especulação, desequilíbrio e insegurança no fornecimento, sem impacto real na inação”, declarou.
“O presidente Lula foi mal informado. Desde o início, tanto minha posição quanto a do Ministério da Fazenda foi contrária à importação. Mas, na ânsia de fazer média política, o ministro Fávaro insistiu nessa pauta, gerando toda a lambança que vimos”, completou.
Exoneração
Neri Geller foi exonerado do cargo em junho de 2024, após o resultado do leilão de arroz, marcado por polêmicas e suspeitas de irregularidades. Entre as empresas vencedoras, havia sorveterias e locadoras de máquinas.
Só uma das vencedoras era do ramo, porém ela pertence ao empresário Robson Almeida de França. Ele foi assessor parlamentar de Geller na Câmara e é sócio de Marcello Geller, filho do secretário, em outras empresas.
Após a descoberta das irregularidades, Fávao comunicou a demissão do então secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, o ex-deputado e ex-ministro Neri Geller. Fávaro ainda afirmou que o secretário pediu demissão.






























