Cenário econômico projeta crise para 2025, mas há boas alternativas

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Alta nos juros, restringindo e encarecendo ainda mais as operações de crédito, elevação da inadimplência, que atingiu índices inéditos, e um grande aperto no fluxo de caixa. Estes são alguns dos principais desafios que as empresas brasileiras deverão enfrentar ao longo do ano de 2025. O cenário de grandes dificuldades obriga os gestores a redobrarem a atenção a cada processo interno de suas empresas, sob pena de ver negócios, novos ou criados há gerações, entrarem em colapso.

O horizonte é muito difícil e as últimas notícias do ano passado, bem como as primeiras deste ano, deixam isso claro. Necessário para a realização de investimentos ou até mesmo para a reorganização das dívidas, o crédito, que já está caro e coloca o Brasil como um dos líderes mundiais em taxas de juros, ficará ainda mais restrito. Se a taxa Selic, que baliza as operações de empréstimo no país hoje é de proibitivos 12,75%, o Boletim Focus, do Banco Central, projeta que em dezembro deste ano ela atinja 15%.

Com juros altos e uma inflação corroendo o poder de compra de pessoas e empresas, naturalmente a inadimplência sobe. Os dados mais recentes divulgados pela Serasa/Experian, de outubro de 2024, apontam para um novo recorde de inadimplência entre as empresas brasileiras. Atualmente, 3 em cada 10 empresas possuem dívidas em atraso e negativadas, gerando um passivo da ordem de R$ 156,1 bilhões, o maior da série histórica desenvolvida pela instituição.

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Sem acesso a crédito com juros “pagáveis” e com um endividamento em alta, os dirigentes das empresas, de todos os portes, precisam estar atentos aos processos internos. O mantra de que “custo é como unha, precisa ser cortado sempre” é algo que precisa estar sempre no horizonte e ainda mais presente no cenário atual. Com menos fluxo de caixa, somente uma gestão que cuida dos mínimos detalhes pode ser capaz de impedir que uma empresa entre em colapso, o que pode gerar uma reação em cadeia e agravar o momento econômico atual do Brasil.

Infelizmente, nem todas as empresas conseguirão ultrapassar o momento de crise. Algumas já entraram em colapso e há outras em que isso é apenas uma questão de tempo. No entanto, a boa notícia é que a legislação brasileira permite uma reabilitação destas empresas, por meio de mecanismos com a recuperação judicial. E um levantamento da Serasa/Experian mostra que muitas empresas entenderam a importância deste instituto.

Comprovando um cenário delicado, o estudo mostra que entre janeiro e novembro de 2024, foram registrados pouco mais de 2 mil pedidos de recuperação judicial, um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. O mecanismo é fundamental para que estas empresas consigam se reorganizar, se proteger de medidas expropriatórias, que inviabilizam por completo a continuidade do negócio, assegurando assim a manutenção de empregos e de uma cadeia que envolve outras empresas.

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Dentro do processo de recuperação, inclusive, há mecanismos previstos em lei que podem ajudar no fluxo de caixa das empresas que passam por este processo. Trata-se do DIP Financing, um tipo de financiamento que garante uma injeção de recursos. Quem empresta o dinheiro conta com prioridade na fila para o recebimento dos recursos em caso de falência, o que traz uma vantagem para estas instituições.

O cenário é difícil, desafiador, mas a recuperação judicial pode ser o instrumento necessário para que muitas empresas atravessem esta crise, repensem seu negócio e sigam em atividade, cumprindo seu papel social de gerar empregos, renda e riqueza para o país.

Marco Aurélio Mestre Medeiros – advogado especializado em recuperação judicial

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